
MATÉRIA DE CAPA NO JORNAL CORREIO BRAZILIENSE, com a nossa atriz Fabianna Kami
Desde que a companhia brasiliense de comédia De 4 é Melhor estreou seu primeiro espetáculo, em 2004, a atriz Fabianna Kami, 27 anos, é a única mulher entre os outros três integrantes da trupe, Flávio Nardelli, Bernardo Felinto e Márcio Minervino. Na verdade, há controvérsias. A convivência “mais do que diária”, como ela mesma define, acabou por torná-la tão íntima dos marmanjos que há muito os pudores nas brincadeiras no palco ou fora deles deixaram de existir. A própria Fabianna garante que “tanto faz” se ela é ou não do chamado sexo frágil: fala palavrão e besteira em pé de igualdade e faz dos atributos femininos objeto de brincadeira e piadinha nos espetáculos. “Acho que as nossas melhores piadas envolvem os peitos da Fabi”, brinca Flávio, que assina como produtor, diretor e roteirista do grupo. Ela, só risadas.
A presença de Fabianna no grupo é fundamental não só pelo talento nos palcos e com os roteiros, que assina junto com Flávio. O consenso ali é de que, sem Fabianna, algumas coisas simplesmente não funcionariam. As personagens femininas, por exemplo. “As pessoas dariam risada se a gente colocasse qualquer um de nós vestido de saia e peruca no palco, mas porque a situação por si só é cômica e não porque acreditam de verdade na personagem”, comenta Flávio. Por isso, eles comentam que nunca quiseram “travestis” no palco. A piada perde o foco do público para o ridículo da fantasia.
A falta de mais mulheres no grupo não tem relação nenhuma com o tal “limite”, comentado pela humorista Carol Zoccoli, tampouco com um desinteresse do grupo em agregar a mulherada à trupe. Sempre foi assim, desde os tempos de faculdade, quando se conheceram. “É como um casamento sem a parte boa”, diverte-se. Com sete anos de estrada, vão-se as diferenças sexuais, ficam as piadas sobre primeira vez, sabonetes íntimos, bolsa de mulher, todas trazidas por Fabi aos palcos. “O humor serve um pouco para tirar essa carapuça de amargura que as pessoas às vezes vestem por causa da dureza do cotidiano. Deixa mais leve”, finaliza a atriz.













